Negócio de família

Consultor que desenvolve tese de Doutorado sobre empresas familiares diz que muitas são obrigadas a vencer barreiras, como a questão da sucessão, que não é tão fácil como parece.

No Brasil, conforme dados do Sebrae, cerca de 90% das empresas são originadas de negócios familiares ou são gerenciadas por pessoas de uma mesma família. Muitas, no entanto, enfrentam problemas de gestão e sucessão, uma vez que, quando não há um planejamento adequado, as chances de insucesso aumentam bastante. No Maranhão, há diversos exemplos de empresas dentro dessa categoria, nos mais diversos ramos.

Segundo o consultor de Negócios Ricardo Carreira, há problemas inclusive relacionados ao processo sucessório no tocante a hierarquias diferentes. “Nem sempre a hierarquia familiar é a mesma hierarquia empresarial. Isto gera conflitos e são particularidades que tornam esse tipo de negócio extremamente complexo e, ao mesmo tempo, interessante”, diz o consultor.

Há diversos exemplos no Brasil, como a Gerdau, que já está partindo para sua terceira geração. Em media, um planejamento sucessório na Gerdau dura pelo menos cinco anos. A Garoto, por exemplo, teve problemas. Entrou em parafuso quando seu mantenedor principal envelheceu. Seus filhos, no entanto, não tiveram aptidão para continuar o negócio. A empresa foi adquirida pela Nestlè.

Conhecimento – Gerenciar uma empresa familiar não é simples como muitos imaginam. É preciso de muito conhecimento gerencial, regras, conceitos, para não contaminar a organização. Ricardo Carreira, em seu Doutorado, desenvolve a tese “Gestão de Empresas Familiares: Uma Avaliação Comparativa”. Ele apresenta um modelo para minimizar esses problemas e trabalha em duas vertentes.

A primeira é voltada para a criação de uma espécie de manual, o “Protocolo”. São regras para definir as atribuições de cada um e das pessoas que não estão diretamente ligadas à empresa, mas que são familiares. Carreira sugere um “Conselho Familiar”, que ajudaria nas decisões, embora não administre. Ao mesmo tempo, define a melhor forma de desenvolver o processo sucessório.

“Não existe aquela obrigação de fazer com que os filhos sucedam aos pais. O processo deve começar muito antes de sua efetivação. É preciso que se utilizem inclusive avaliações psicopedagógicas e psicológicas, para entender se aquela pessoa está apta. A partir de um Conselho Familiar, fica mais fácil identificar o sucessor, não necessariamente um sucesso primário, mas pode ser um secundário” explica.

No Maranhão, há muitas empresas familiares. Muitas obtiveram sucesso em sua empreitada, mas há também aquelas que demonstram um nível frágil de gestão, com indefinição de limites, e enfrentam crises na identificação da propriedade. Não apresentam uma forma clara e objetiva a respeito daquilo que é propriedade da família ou da empresa. “As empresas familiares maranhenses, no geral, carecem de uma gestão mais profissionalizada. Não há regras de consenso”, diz.

Ricardo Carreira é proprietário da Escola de Negócios Excellence (ENE), que é uma empresa familiar. Ele e a esposa fundaram a instituição e seus pais trabalham como funcionários. “Neste caso, observa-se uma inversão na hierarquia. Meus pais são funcionários e adotamos a hierarquia empresarial. A ENE existe há 13 anos e enfrentamos muitos conflitos, mas avançamos”, finaliza.

“matéria publicada no jornal O IMPARCIAL no dia 18 de agosto de 2016.”

RESPONSABILIDADE SOCIAL

A Faculdade de Negócios Excellence apresenta o Projeto DOAR, um evento executado anualmente com ajuda de doações pelos alunos e empresas parceiras.

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